Damn! Quase 30?! E agora?!

22:46


Olá meninas!
Hoje venho falar-vos de um assunto mais sensível ou menos grato, chama-se "a grande merda dos estereótipos", dei-lhe este título com uma asneira porque achei que ganharia toda uma potência e credibilidade, se lhe tivesse chamado "a grande maldade dos estereótipos" seria sem dúvida um assunto monótono, ou pelo menos eu imaginaria alguém a falar num tom monocórdico e como não é esse o caso, hoje e a apenas hoje podemos usar a palavra "merda/shit" num post!

Não é novidade que a sociedade espera que nós mulheres obedeçamos a um padrão, basicamente é toda aquela obrigação de vestirmos o 34 e ainda assim termos um rabinho alçado, tudo isso acompanhado de um rosto perfeito e um cabelo comprido super sedutor, seguindo-se os dentinhos certinhos e branquinhos (cor de frigorífico).  


Isto minhas amigas é o que a sociedade espera de nós, creio não vos ter dado nenhuma novidade. Mas como se tudo o que foi referido não bastasse, são-nos também colocadas metas temporais!

Ou seja, aos 15 anos dás o primeiro beijinho, aos 18 anos entras para a faculdade, aos 21 acabas o curso, aos 24 és pedida em casamento, aos 27 casas (porque entretanto estiveste 3 anos a juntar dinheiro para arranjares uma casa fixe), aos 30 tens o teu primeiro bebé e continuas a fazer aquela ginástica entre administrar a tua própria empresa, amamentar, ir ao ginásio e gerir a tua vida sexual com o teu marido! A sociedade espera tudo isto de ti!

Claro que dentro do teu casamento existem ainda mais expectativas, ou achavas que a sociedade ficaria satisfeita com o teu conjuge, não fosse ele um Ken? Perguntas-me "Marta, o que é um Ken?". Eu respondo! Um Ken é uma espécie de homem-gato-perfeito. Basicamente é alguém alto, com abs definidos, olhos verdes, dentes direitinhos e branquinhos, rabão e como se isso fosse pouco, o tal Ken teria ainda um doutoramento numa àrea qualquer e aos 25 anos é CEO de uma multinacional. Easy, não é? Pronto amiga, este é outro peso que a sociedade coloca em ti, arranjares a pessoa ideal para dizer "I do", ou caso não fales inglês "sim, aceito".

Mas continuo sem vos dar novidades, creio eu! Mas a questão que se coloca é "e se não alcançares estes objectivos?"

Bem meu amor, se não atingires esses objectivos vão olhar para ti como uma peça com defeito na zona de oportunidades do IKEA. Simplificando, aos olhos da sociedade, como não atingiste algum dos objectivos referidos lá em cima, significa que existe algo em ti que é descompensado, ou melhor, é como se não estivesses apta para o realizar, percebem?!

Podia estar a fazer este post de forma leviana, mas efectivamente estou a falar-vos com conhecimento de causa (e como achei que a minha experiência talvez não fosse suficiente, decidi beber um café com amigas para fazermos a lista dos comentários que a sociedade nos faz, por estarmos ali a bater nos 30 e não termos atingido as ditas metas).


Eu tenho 28 anos, sou solteira! (wow, isto é que é um tema polémico) Não tenho filhos, exceptuando claro as minhas duas gatas. E vocês nem sabem os comentários que oiço, não percebo se são feitos em tom de julgamento ou se de forma piadosa, como quem lamenta a morte de um canário amarelo.


"És tão bonitinha, porque não casaste?", este é o mais recorrente, dos comentários inconvenientes este é o mais desagradável. E vamos parar aqui alguns segundos para analisar este comentário. Primeiro, "és tão bonitinha"...hum...caso fosse feia, já não seria um problema para as pessoas eu estar solteira? Para além de redutor este comentário é altamente descriminador.

"Mas tu não queres construir uma família?", este é outro comentário desagradável! Ora bem, ser mãe é algo que desejo imenso, todavia, não é por ter essa vontade que o pai dos meus filhos será qualquer um. Não sei se me faço entender, mas para construir uma família é preciso haver os membros de uma família (mãe e pai), caso contrário a criança não se gera no meu útero sozinha. Mas imaginemos que uma mulher não quer ter filhos? Deve a sociedade julgar a pessoa em questão pela sua decisão de não querer ter uma barriga de balão? Ou como se diz por aí "levar um pontapé nas costas" (acho esta expressão horrorosa, mas hoje este é um post em que posso dizer estas coisas la-bre-gas que ninguém leva a mal).

"Tens de deixar de ser tão selectiva, já não és nenhuma menina", ora pronto aqui está outro comentário de extrema falta de bom senso! "Já não és nenhuma menina", ou seja, já estás como os iogurtes líquidos ali no dia antes de acabar a validade, é exactamente isto que nos dizem, mas de uma forma mais subtil. E por sua vez, como já não sou essa menina, tenho de perder todos os meus critérios de selecção e agarrar o primeiro homem que passar por mim na rua, ainda que seja um avô com dois dentes. 

Estes são os comentários que fazem quando estás presente, claro que existe toda uma panóplia de comentários que fazem quando tu não estás presente, coisas do tipo "coitadinha, ele deve ter algum problema", ou "qualquer dia ninguém lhe pega", ou até mesmo "então mas ela quer o quê?um top model?". 

Claro que meus doces, uma situação constrangedora nunca vem só e portanto, para além do constrangimento de ouvir estes comentários, ainda vivo situações que me deixam da cor da bandeira do benfica. Certo dia estava eu no cafézinho/tasquinho da minha vila a beber o meu café curto em chávena fria (sem açúcar) e chega a dona Elisabete (posso mencionar o nome, porque tenho a certeza que ela não lê o meu blog) e faz o seu pedido ao balcão, senta-se na mesa ao lado da minha e até aqui tudo bem. Estaria tudo perfeito, não fosse ter entrado no café/tasquinho um rapaz giro de cerca 1.80 e fato (eu não dei pela entrada dele, estava a fazer algo no instagram, possivelmente maquilhagem) e oiço "Olha com este moço é que ficavas bem, alto, jeitoso", eu ignorei toda aquela tentativa de me casar com o moço giro do fato azul e fiz algo que faço super bem "fingir que sou parva". Mas a dona Elisabete não se deu por vencida e foi sentar-se na mesa do rapaz (que por sinal ela já conhecia) a enumerar os motivos pelos quais ele e eu ficaríamos bem juntos. 
Havia duas hipóteses, ou começava a preparar o meu sorriso sexy (coisa que não tenho), ou fingia ir atender uma chamada telefónica e arranjava forma de me esgueirar dali para fora, que foi exactamente o que eu fiz!


Portanto meu amor, isto é o dia-a-dia de um ser humano de 28 anos, do sexo feminino, sem aliança no dedo, é mais ou menos como tentar tocar guitarra com unhas de gel, só que não tem nada a ver, efectivamente é mesmo lidar com todas as projecções que os outros colocam em ti.

Sociedade, eu não tenho "um defeito", nem eu, nem os solteiros perto dos 30. Não temos defeito, simplesmente não nos cruzámos com a pessoa certa no momento certo, ou então simplesmente somos pessoas que gostam de deste estado de "não partilhar a cama com outrem". Não estamos na secção de artigos a -50%, estamos simplesmente a aguardar pacientemente pelo nosso "tal", afinal a paciência é uma virtude!

Talvez este post seja (até à data de hoje) o artigo com mais caracteres neste blog, talvez seja porque tenho como a minha mãe costuma dizer "Pano pra mangas" para falar deste assunto! 



2 comentários:

  1. Um excelente post que mostra como a nossa sociedade pensa efetivamente, por muito que queiramos que não seja verdade.
    Um beijinho*

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  2. Opáaaa como te compreendo. Tenho 28 anos também, mas como tenho namorado já há algum tempo e ainda não casámos nem temos filhos, não paramos de ouvir "então quando casam? então para quando o primeiro bebé? e o segundo? e o terceiro? pois não querem assumir responsabilidades ainda, não é?" Uma canseira. LOL
    Porque é que as pessoas gastam tanto tempo a meter-se na vida dos outros? Acho que é uma pergunta que nunca vou conseguir responder.

    Bom fim de semana =)
    Beijinho*
    Rita

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