Pedaços de mim #2

20:05
Olá a todos!

Desta vez não vou pedir a Novembro para ser bom, vou-lhe pedir para ser óptimo, porque preciso de coisas óptimas, preciso de renascer das cinzas, preciso de rebolar na relva molhada, preciso de ser criança, por isso Novembro, fica o pedido. *-*

A semana passada partilhei com vocês um texto escrito por mim, todavia ao publicar o texto pensei que poderia estar a fazer algo menos correcto, tive vergonha inclusive  mas a verdade é que tenho vontade de partilhar com vocês aquilo que eu sou, portanto, novamente com receios e vergonhas, vim aqui hoje partilhar algo escrito por mim.

"Deito-me na cama, abandono os sentidos, alimento-me de sentimentos, não teus, mas nossos. Olho pela janela, vejo a noite e sinto-lhe a verdade, observo com atenção cada pormenor de vida existente por trás do vidro que me separa do mundo. Passam os carros, um por um, vejo-os embarcar nesta viagem sem volta. Vejo os muros amarelos, os prédios brancos, a estrada negra e o meu olhar perdido no vazio. Observo a ponte, fito o horizonte, vejo-lhe as cores, são tantas e tão poucas. Sinto o azul escuro do céu, talvez seja o preto do asfalto, talvez nem sinta todas estas cores. Devoro traços de poesia que gostava de saber traçar, oiço uma música, fecho os olhos e a cama em que me deito sente o momento tão eterno, que a tua ausência provoca em mim. Fecho os olhos, esqueço a razão, tento a própria tentação. Mordo a memória dos momentos teus e meus, arranho-os por inteiro, mordo o lábio e sorriu. Abandono-me ali, abandono o meu corpo em cima daquela cama fria e branca, liberto o que de melhor há em mim e voo para longe deste corpo, liberto a minha alma. Estás tão longe, mas tão perto, estás comigo e eu sinto-o, estás em mim, sei que sim. Sei que pensas em mim. Sei que sentes que me libertei, que estou dentro de ti agora. Vejo visões que não tive, oiço vozes que não conheço e risos de que não gosto, solto um grito mudo e revoltado, fecho as mãos, numa tentativa de não sentir o que este momento me deu. Sinto-me perturbada, sinto-me vaga e leve. Acendo um cigarro, procuro um cinzeiro, fumo. Um cigarro, dois cigarros e cinzas que espalho pelo cinzeiro de madeira cor de mel. Sinto-me uma pecadora, por pecar, não em actos, não em omissões, todavia faço-o sem remorsos e sem medos, tudo psicologicamente. Peco por pensamentos, inibo as palavras e dou valor a todos os olhares, a todos os singelos olhares que me dás. Singelos sim, são frios todos os olhares elaborados, são frios todos os olhares do mundo para além de nós dois. Estás em ti, e eu? Onde estou eu? Serei eu apenas um corpo que precisa de ver o sol brilhar lá fora. Com um mero estalar de dedos, num truque de mágica, o mundo muda na sua integra. Sinto-me perdida, em palavras, perdida neste mundo que ainda não conheço, neste mundo que me conhece e domina.

Olho para o chão que outrora fora de madeira, agora é terra molhada. Sinto-lhe o cheiro. Desejo tocar-lhe. Toco-lhe, deito-me assim neste espaço amplo e feliz, sinto o cheiro que me faz levitar e sorrir de prazer, rebolo-me pelo chão, como um animal livre e isento de culpas. Nas minhas mãos vejo pedaços de terra fria e tão cheia de vida. O vestido branco e bonito sujou-se, o cabelo claro e limpo, cheira agora a natureza, cheira a pétalas de flores, cheira a ramos de eucalipto, cheira a terra. Pela primeira vez, observo o céu, que outrora fora escuro e triste, agora é claro e luzente. Enche-me de vida. Levanto-me, caminho de forma delicada, por entre as flores que te lavam a alma. Caminho, sozinha, trago-te comigo dentro do coração, agora que a solidão é a minha única companhia, agarro o coração que se esconde dentro do peito, aperto-o, mais e mais. Sei que estás comigo, já não tenho medos nem receios.
Oiço a melodia harmoniosa de gotas de água a correrem por um leito que se afasta e corre para ocidente. Bebo daquela água gélida e pura, purifico-me com ela. Envolve-me toda esta magia de perfeição. Sigo as pegadas que encontro perto do rio. Uma a uma, percorro milhas e milhas, percorro-te dentro de mim. Neste bosque, ondas as árvores tocam o céu, onde os raios de sol aquecem a terra que piso, descalça e despida de medos. Ao longe, avisto uma cabana antiga e pequena. Acelero o passo, corro mais e mais rápido. Encontrei o meu lugar. Encontrei-me. Entrei naquela cabana junto ao rio, escondida pelas árvores centenárias que insisto em fotografar, admirar e desenhar. Observo o local onde me encontro, vejo uma lareira, cadeiras de madeira antiga, uma cama, algumas molduras velhas, uma viola, bolachas de chocolate, folhas de papel e um lápis. Matou-me a curiosidade, invadi todo aquele espaço, quebrei toda aquela harmonia, toquei uma música, aquela velha canção que canto desde os seis anos. Revitalizo-a em mim.
Olho novamente e com mais atenção as molduras perto da cama, aproximo-me. Sinto arrepios, sinto medo pela primeira vez, senti o que é ter medos. Começam a esboçar-se nos meus olhos, silhuetas, aproximo-me novamente. Matou-me o silêncio, matou-me o frio que senti ao reconhecer todo aquele espaço. Aquele lugar mágico onde me encontrava, eras tu, era o teu corpo em mim, aquela cabana de madeira, feita carinhosamente para mim era o teu coração. Sim, estou viva e feliz."


Um beijinho, Marta.

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9 comentários:

  1. Acho que fazes muito bem em partilhar os teus textos no blog, porque é esse mesmo o objectivo destes cantinhos! :) Um óptimo mês de Novembro! :)

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  2. Espero que novembro seja para lá de maravilhoso ***

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  3. Gostei muito do texto.

    Participa já!

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  4. O texto esta lindo!! Vai correr bem =)


    http://www.bitsnpieces.me

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  5. que Novembro te traga tudo o que mais desejares :)

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